segunda-feira, junho 30, 2003

E mais um texto.


Desta vez, estamos perante uma pérola da adolescência. A tristeza, a solidão, o amor, todos os fardos duma idade mais ao menos nostálgica daqueles que sentem com o coração. Lamechice para alguns, eu sei.... mas como referi anteriormente: "ler, leia quem quiser...."


Chove lá fora. Os pinheiros balançam, de cá para lá, embalados pelas vozes abafadas provenientes do interior das casas. As vidraças, almas gémeas opostas, choram do lado de fora por se exporem ao temperamento dos Deuses, enquanto que deste lado se mantêm secas e transparentes.
São muitas as luzes que vejo do meu cubículo, pequenos focos ao longe que simbolizam as preces dos homens. A luz que se acende em nossas casas, obra imperfeita do homem, é não mais que um ritual celebrado em honra do Sol, este sim perfeito porque nunca nos falta (salvo mediante desígnio Superior). Logo, essas preces têm como finalidade pedir aos senhores do Universo que o sol volte a iluminar no dia seguinte.
E mesmo que as pessoas já cansadas “desistam do ritual” durante a noite e apaguem esses focos, os dirigentes de cada país garantem que algumas luzinhas espalhadas pelas ruas e pelas estradas, mais persistentes e curiosamente mais altas (talvez para se verem melhor), cumpram essa função.
De nariz esmagado no vidro, anseio que me descubram...... alguém que se interesse pelo lado de fora da sua janela e investigue o interior da minha.
Eu que procurava longe nem vi que bem perto, dois olhos escuros sorrateiramente faziam isso exactamente. Quando dei por isso, engoli em seco, como se tivesse sido apanhado a fazer algo não tão próprio, e escondi-me atrás do cortinado. Mas rapidamente a curiosidade venceu a vergonha: começámos a conversar através do olhar.

Lisboa em Estado de Sítio


Este Texto simples saiu na edição 0 da Revista Estado de Sítio da Faculdade de Direito de Lisboa e achei interessante transcrevê-lo para aqui. Quaisquer reparos ou reclamações que queiram fazer quanto ao conteúdo do mesmo, façam o favor de contactar o laboratório responsável pelos medicamentos que fui obrigado a tomar durante os referidos 10 dias.

Recordar Lisboa

Foi preciso ouvir as duras palavras do médico que me confinam, a partir de hoje, às quatro paredes do meu quarto, para se acabar a enorme “branca” que me impedia de falar sobre a minha cidade.
Diz, quem sabe, que damos sempre mais valor, ou melhor, o valor devido, quando perdemos alguma coisa.
Eu acabei de perder a minha liberdade por 10 longos dias.
E é nestas alturas, que sentimos falta das coisas mais incríveis: dos donos dos cães, que se deixam passear pontualmente, todas as manhãs, de olhos fechados quase; das buzinas usualmente irritantes e impacientes daqueles que saem tarde de casa e que reclamam por já estarem atrasados; do cheiro a pão fresco que todos os dias me entra pela janela, cada vez que passo pela padaria do Sr. João.
Pormenores, é certo, mas não é a nossa vida enriquecida por eles?
Esta cidade onde vivo está recheada deles.
Ao longe, embalada pelo fado dos recantos alfacinhas, desfila uma neblina pelo Tejo. O nosso Tejo! - Apregoam as peixeiras nas suas bancas, chamando a clientela que, de olho clínico, procura aqui e ali manchas suspeitas nos pobres peixes. Mal sabem estas senhoras que o Tejo está alugado (como se diz na linguagem dos Drs.) aos habitantes da capital e que por qualquer forma de Usu capião, vai sendo cada vez mais nosso.
E quase na foz, mais uma imagem típica, os pequenos, mas velhinhos cacilheiros que com a avidez que lhes resta, dançam de lá para cá, concentrados na força da corrente.
A memória é realmente uma coisa fabulosa.
Se os olhos não vêem, mas já viram, basta tocar num botão, acende-se uma luz e voilá...uma recordação.
Mas a memória é coisa perigosa, pelo menos no que diz respeito a Lisboa. A correria das pessoas da capital, dos transportes, dos prédios que crescem em cada espacinho vazio, arrepiam qualquer um e surpreendem os mais descuidados.
Lisboa vive deste ritmo.
Muda sem aviso. Sem referendo.
A sua beleza, temporariamente abalada pelos mamarrachos que estão na moda, rapidamente se restabelece reflectindo aquele sol bem clarinho, que ultimamente tem pregado muitas partidas.
É esta a cidade do “antigamente não era assim”, da feira da ladra, da feira popular, das corridas do campo pequeno, do Marquês que, junto ao seu leão, troça da dificuldade de percorrer a sua rotunda com o veículo ileso.
Felizmente, há coisas que nunca mudam, mesmo que passemos 10 dias fechados em casa.

Mentes brilhantes


Cabe-me fazer referência a um dos blogs mais ilustres a não perder, dos meus grandes amigos e colegas do Cénico de Direito e não só - DesejoCasar -> ver links!
Um abraço do Tio Alberto.

GÉNESIS


Inicia-se hoje o 1º dia de muitos pensamentos escritos, uns mais brilhantes do que outros (poucos), mas acima de tudo com uma mais-valia: são sinceros.
Com este Blog não se pretende deitar abaixo instituições, descobrir Conspirações ou até mesmo desmontar Cabalas, mas antes com um humor muito próprio, encontrar o lado cómico e mesmo inacreditável da vida no nosso pequeno Portugal.

Muito obrigado aos Manos Borges por me apresentarem a esta maravilhosa Forma de Comunicação!!!!!
Não pretendo fazer concorrência com o vosso Blog, digamos que é um processo de Catharsis pessoal.


Agora desculpem-me, mas nesta inauguração abstenho-me de partir um teclado à entrada deste Blog.....


"THE BEGINNING"