terça-feira, novembro 25, 2003

Despertares



Há dias, em que o cansaço nos obriga a reparar em pequenos pormenores.
Isto acontece, porque a pequenez das coisas deixa de o ser, quando nos impede de chegar ao tão desejado conforto da nossa casa.
Hoje foi um desses dias.
O camião do lixo, que de pequeno, afinal, não tinha nada, era empecilho. As luzes rotativas, frenéticas e gémeas na frustração de não terem sido Faróis dos nossos mares, iluminavam o que os outros rejeitam, o seu lixo.
Mas no impedimento gerado pela sua imobilidade de toneladas, felizmente temporária, vi um motivo de reflexão.
Profissional no método de reencaminhar o conteúdo dos cada vez mais vampíricos caixotes, tal é a raridade da sua presença nas nossas ruas durante o dia, o homem de verde e preto, exibia uma tez em tudo contrastando com o cenário, bem clara e limpa.
Provavelmente de Leste, ali estava, agarrado ao veículo que o transportava pela noite, para o mais escuro de todos os mundos: o mundo da rejeição humana.
Depois, só me lembro de pensar emocionado "Pois é, o Lixo é igual onde quer que se esteja".

quarta-feira, novembro 19, 2003

Regresso à "Família"



Prometi que os ia ver.
A última vez que estivemos juntos foi em Fevereiro... ... ... de 2001.
Hoje, quase 3 anos volvidos, decidi voltar a "casa", ao lugar que me acolheu vezes sem conta, repleto de pessoas literalmente mágicas.
Os seus olhos reflectem aquele brilho verdadeiro e sincero, que todos exibíamos inocentemente em criança, para cumprimentar um Mundo ainda por descobrir.
As suas mãos, unidas numa nova Criação, obrigam-nos a acreditar no impossível e a duvidar. A duvidar que a vida, afinal possa ser tão bela e fantástica.
E, no entanto, se ainda ensaiando na cegueira, os não pudéssemos ver, nunca nos passaria pela imaginação, enquanto último reduto, que alguns destes senhores e senhoras têm sessenta e muitos anos de existência física.
Por isso me sinto hoje privilegiado, por regressar ao lar das fantasias e das ilusões, que nos mantêm crianças, por maravilhar, por descobrir e por crescer.
Os seus nomes repartem-se pela vida que levam dentro e fora do palco. Muitas vezes separados pelo respectivo reflexo, ou não fosse SERAVAT, TAVARES ou ATSOC, COSTA.
São Mágicos.
Sempre os chamei assim, repudiando o título de Ilusionistas, porque não me sinto enganado, mas antes, conduzido para onde tudo é facilmente possível.
Esta minha Casa é a API, Associação Portuguesa de Ilusionismo.
Aqui aprendo a converter lágrimas em sorrisos, a puxar pelos supiros e torná-los gargalhadas, a transformar a tristeza na esperança de um amanhã melhor, desparecendo a infelicidade pelo buraco do chapéu, onde o coelho branco se esconde.
Enganam-se aqueles que pensam que nos aproveitamos das pessoas, da sua ingenuidade, ou até que as ludibriamos.
Nós apenas criamos sentimentos, surpresas e sonhos... tudo à frente dos olhos.
Obrigado amigos por me receberem tão bem...

Do Vosso
Boris Magic

(Boris é o meu antigo nome artístico, já que Henrique ao contrário não dava nada!)

segunda-feira, novembro 17, 2003

O Vício do Direito



A Cena decorre dentro duma carruagem do metro. As personagens acabam de entrar. O barulho do costume. As pessoas do costume.

Ricardo – Acabei de picar a porcaria do bilhete e já não sei onde o pus. Todos os dias a mesma coisa ... ... ... olha dá-me um cigarro.

João – Agora? Não podes fumar aqui dentro.

Ricardo – João, por favor não me chateies com as regras dos teus queridos códigos, que eu hoje não tenho paciência. Dá-me lá um cigarro.

João – Olha à volta. A carruagem está a abarrotar, queres matar-nos a todos com o fumo? Além disso, está ali o sinal: Proibido fumar.

Ricardo – E ao lado do teu sinal está outro que diz para ninguém se encostar às portas, e no entanto.....

João – Mas isso é porque o metro está cheio.

Ricardo – Óptimo, então dá cá o tabaco que eu também estou cheio de vontade de fumar.

João – Aguenta um bocado, saímos daqui a duas estações, custa-te muito?

Ricardo – Vê lá se não guardaste o meu bilhete juntamente com o teu... isto é inacreditável.

João – Não guardei...

Ricardo – tens a certeza? Vê lá se fazes favor.

João – Tenho a certeza.

Ricardo – Claro, tu tens passe. Também tenho de arranjar um desses novos. Tem fotografia não é? Mostra lá.

João – Não tenho passe. Já leste as cláusulas da proposta? Que Roubo! Primeiro...

Ricardo – Poupa-me os pormenores jurídicos.

João – E é por isso que não guardei o teu bilhete juntamente com o meu.

Ricardo – Desculpa, mas o leigo não entendeu esse raciocínio.

João – Não tenho bilhete. São só duas estações. Entrar e sair. Nem sequer é início do mês e a probabilidade de apanhar um fiscal é reduzidíssima.

Ricardo – Quem havia de dizer... o senhor lei não sei quê barra 2000 e tal.
Uma atitude deplorável...que corresponde a 8 contos de multa.
Pensando melhor, dá-me dois cigarros....um por cada estação.

domingo, novembro 16, 2003

Paródia na cela



Não consegui resistir.
Apesar da linguagem utilizada ser forte, é sem dúvida, uma sátira com piada.
Julguem os leitores e depois comentem.

Site: http://www.vitominas.com/castelobranco.htm

Luares de tinto



Chamei-te baixinho
E o Mar respondeu:
Não sou quem procuras,
Mas o nome que murmuras
Ouvi-o também eu.

E mais baixo que baixinho
Voltei, de novo, a sussurrar.
Desta vez, foi o distraído do Vento,
Que no indiscreto ouvir do chamamento
Logo soprou para se desculpar.

Anoiteceu, sem que me ouvisses
nem baixo, nem baxinho.
Então, as estrelinhas endiabradas
Juntaram-se todas e organizadas
Formaram o teu nome num instantinho.

Ainda hoje não sei se as viste,
Ou se ouviste o meu apelo,
Mas sei que me tens cativo ao teu sorriso*
Gerador de Sonhos, furtado do Paraíso
,
E que farei tudo para merecê-lo.

Hgomes

*: ligeiramente diferente da versão final efectivamente entregue à destinatária, visto que apenas fiquei com os rascunhos, esboços incompletos... como a nossa hipotética relação.

Tristeza Americana



Para todos aqueles, que por qualquer razão, vêm ter a este blog pesquisando com a palavra "Pedofilia", e que tal como eu repudiam todos os actos vergonhosos e incompreensíveis resumidos nesta pequena e temida palavra, aqui vos deixo o triste resultado de uma pesquisa sobre sites estranhos.
Inacreditavelmente, no país de todas as oportunidades e do sonho americano, é espantosa a exploração da liberdade pessoal e a transgressão gratuita dos limites da racionalidade humana.
Senão vejamos, entrem em NAMBLA e conheçam uma "organização que defende a pedofila e propõe a sua legalização. De acordo com a sua página, as actuais leis contra a pedofilia são discriminatórias para com os jovens, pois não lhes reconhecem a maturidade e responsabilidade suficientes para decidirem entrar num relação com alguém mais velho."

No mínimo Inacreditável.

sábado, novembro 15, 2003

O Excluído



Na festa de lançamento do Livro do Luís Filipe Borges "Mudaremos o Mundo depois das 3 da Manhã", tive a oportunidade de rever pessoas cujo aperto de mão ou troca de beijinhos são esporádicos, mas que a memória, já por si ruim tal é o prazer pelo queijo amanteigado, me impede de esquecer.
Mas estes donos das bocas que nos tocam ou dos dedos que repousam verticalmente nos meus, não são pessoas ditas normais, pelo menos de acordo com as sensações emitidas a partir do compartimento de emoções e de sentimentos alojado no meu cérebro, e que desconfio, também no órgão batente (coração, claro).
Os seus sorrisos valem ouro, ou outro minério mais valioso, já que são genuínos, vindos por vezes sabe-se lá de onde, com destinatários definidos, quase que repousando no brilho dos dentes, um cartão pequeno invisível, a dizer RESERVADO.
Uma dessas pessoas, que confesso conhecer mal, mas cuja escrita vai sendo cada vez mais mote dos meus pensamento, é o Joel Neto.
Quem nos apresentou directa e indirectamente foi o Luís, que num jantar comemorativo das 10.000 visitantes do Desejo Casar, por ter chegado um pouco mais tarde do que eu, o que não quer dizer que tenha chegado atrasado, me permitiu meter conversa com a única pessoa que já se encontrava sentada à mesa, nem mais nem menos que o SR. J.
Desde então, nunca mais se cruzaram os dedos, até ao dia de anteontem.
Com um sentido de humor apurado, nem outra coisa se podia esperar do círculo de amigos do LFB, este Açoriano teve uma saída digna de post.
Com ar sério mas descontraído, perguntou-me se ainda não tinha escrito um livro.
Desconfiado e sem entender bem a razão da pergunta, soltei um "Não", daqueles nãos que se dizem a alguém que julga que nos conhece, mas que afinal nos confunde.
Retorquiu de imediato: Não?! Mas então para te juntares ao grupo, tens de escrever um livro.
O sorriso indiciador de quem sabia a minha resposta "all along", e a palmada nas costas, fizeram-me soltar uma gargalhada felizmente inaudível tal era o barulho de fundo.
Fiquei a pensar naquilo...

Joel, achas que se publicar a minha lista de compras chega?
Com o Abrunhosa funcionou...

quarta-feira, novembro 12, 2003

Simpatia dá-te asas!



Há umas semanas atrás, estava eu a assistir a um anúncio da Red Bull, quando uma ideia luminosa, daquelas que apenas brilham por segundos até se apagarem definitivamente nas mentes dos, que como eu, são esquecidos, invadir os meus pensamentos sem autorização. Era uma ideia para um novo anúncio da marca.
Desconhecendo se já teria sido concretizada, ou se seria apenas a memória a pregar-me partidas, decidi, numa onda de brincadeira, enviá-la ao departamento de Marketing da Red Bull.

O que aconteceu foi isto:

Cara Sr.ª J, o meu nome é Henrique Gomes e a verdade é que sou
um grande fã dos anúncios da RED BULL, uma vez que são divertidos, simples
e inteligentes, e sobretudo, porque conseguem "passar a mensagem".
Há tempos tive uma ideia para um anúncio que colegas meus acharam piada e
que hoje decidi compartilhá-la, apesar de bem no fundo residir a dúvida de
já ter sido por vós concretizada. De qualquer das formas aqui fica a ideia:

Primeira imagem - Cena do filme ET: O ET escondido na lancheira da
bicicleta enquanto o miúdo foge a pedalar. Quanto se torna inevitável o
embate numa casa por terem entrado num beco sem saída, o ET pega no lata de
Red Bull bebe-a e dá-a beber ao miúdo.

Segunda Imagem - Começam a voar por cima das casas, até ao momento em que
passam à frente da Lua e apenas se vêem os contornos da bicicleta do míudo
e do ET com asas a segurarem as latas.

Enfim, uma ideia entre mil, mas achei engraçado partilhá-lha com alguém da
Red Bull.

Grato pela atenção

Henrique Gomes


Pensando eu que ficaria a pairar no ar, mais uma ideia, mais uma iniciativa, mal sabia o que realmente viria a acontecer:

Olá Henrique

Peço desculpa de só agora estar a responder ao seu e-mail.

E tenho que lhe dizer que é por causa de consumidores como o Henrique que
sentimos que o nosso trabalho vale a pena e isso dá-nos mais vontade de
trabalhar sempre mais e melhor.

Muito obrigada pela sugestão. É uma excelente ideia. No entanto, a
publicidade da Red Bull é toda feita numa agência alemã que é responsável
por toda a nossa imagem a esse nível. Mas enviamos-lhes na mesma a sua
sugestão. Quem sabe?

Se puder mande-me a sua morada, pode ser?

Saudações energéticas e mais uma vez, obrigada


Nitidamente surpreendido com tamanha atenção, decidi agradecer e como foi pedido, enviar a minha morada, embora desconhecendo para que finalidade seria necessária:


Cara F,

Fico contente por saber que as ideias não ficam perdidas no espaço virtual
da internet, nem são directamente atiradas para o "recycle bin", sem
destino, sem valor.
Entretanto, pode ser que apareça outra ideia digna de novo contacto...

De qualquer forma, obrigado pela atenção!


Dias depois, recebo das mãos da porteira, uma encomenda da Red Bull, sendo que no seu interior se encontravam 4 latas, um tapete para rato, um anti-stress, um folheto e um cartão de agradecimento.


Por ser inédito, este gesto tão bonito, mereceu ocupar um espaço neste Blog!

O fim de Matrix?



Estou desiludido com o Matrix Revolutions -> amanhã explico porquê!

Adeus



O SPike deixou o tapete do prédio e o meu coração.

sexta-feira, novembro 07, 2003

Calor Humano



Há uns dias, quando caminhava para casa, já tendo batido há muito as 12 badaladas, e quando tudo já se deveria ter transformado em coisas feias e desinteressantes, vejo um magnífico animal, com pêlo castanho claro, estendido ao longo de um tapete de entrada de prédio.
A beleza era tal, que instintivamente procurei, afinal em vão, uma trela, uma coleira, algo que lhe conferisse uma titularidade.
O dono, esse, perdera-se, provavelmente, na noite, numa noite, afastando-se do lindo cão que agora repousava à frente dos meus olhos.
Para quê procurar justificações onde elas não existem? Para quê inventar histórias que apenas confortam a mente, mas não o animal que agora dormia ao relento?
Sem dono, ao frio, aninha-se escondendo-se nos sonhos, sim porque o cães também sonham, onde certamente brinca com um dono inventado pelas suas carências caninas. Durante essas horas é feliz, ao menos isso.
Hoje fui eu que sonhei com ele, julgando que seria o meu cão, aquele que nunca tive, o meu Spike, vulgar de nome mas único no coração.
Que me interessa pensar que foi o SPike de alguém, ou que tem pulgas e doenças que desconheço e não vejo.
Mais uma noite como qualquer noite, e vejo-me hoje regressar a casa com o desejo de o ver novamente, na esperança contraditória de estar bem mas ainda não ter arranjado alguém que o mime, até um dia. Até ao dia em que ganhe coragem, e não tenha mais medo de acordar do sonho, que afinal pode ser tão real, tão possível e que está apenas ao alcance de um sorriso.
Lindo cão que dormes descansado, desculpa ser tão egoísta, mas espero ver-te amanhã aí, para que possa, pelo menos por mais um dia, imaginar que podes ser meu.

quinta-feira, novembro 06, 2003

gracinhas de café



Cliente – Olhe desculpe, onde é que está a minha carica? É que eu não entendo essa mania que os senhores têm de servir as garrafas já sem as caricas. Talvez não faça sentido fazer-lhe esta pergunta, mas quando o seu filho lhe pede um refrigerante, e como eu até está interessado em juntar as caricas para ganhar o prémio que anunciam no rótulo, o senhor também o impede de sonhar? Eu se compro uma garrafa é para vir com carica....também a pago!

Empregado - Tem toda a razão! A pergunta que me fez não faz sentido absolutamente nenhum: eu não tenho filhos, e mesmo que tivesse julgo que não teriam a sua idade. A verdade, é que não me pareceu que o senhor estivesse interessado no prémio. Por isso, peço-lhe que me perdoe. Se realmente deseja um iô-iô pokemon luminoso (a ler o rótulo) vou já buscar a “sua” carica ao lixo.

Cliente – Mas que mal tem eu querer um iô-iô luminoso não sei das quantas? Como é que o senhor sabe que é para mim? E mais, o que é que o senhor tem a ver com isso?

Empregado – Permita-me então que lhe pergunte: o prémio é para si?

Cliente – É! É para mim sim! O raio do Iô-Iô é para mim! Acha que não tenho idade para brincar com iô-iôs é? ( Já bastante irritado e a chamar a atenção das pessoas que estão à volta).


Empregado – Não, não... aparentemente está na flor da idade e se quer brincar com o iô-iô, faça o favor..... já agora
é 1,15 €.... já com carica.

terça-feira, novembro 04, 2003

Ser Voyeur: Narcisismo e Altruísmo


sexta-feira, outubro 31, 2003

Cinquenta Anos de Palco




“Sê bem-vindo à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, nós somos o Cénico de Direito”.
Repetida ao longo de quase 50 anos, a saudação de boas vindas com que o grupo de Teatro da Faculdade de Direito de Lisboa recebia os caloiros está, hoje, condenada a desaparecer.

O meu nome é Henrique Gomes, actual Director de Produção do Cénico e hoje represento os seus membros.
Decidi que não podia continuar calado face a tamanhos desprezo e desconhecimento no que diz repeito à história, obra e conquistas deste Grupo de Teatro, e que hoje se revelam cada mais sintomáticos de um fim próximo, desprestigiante e francamente injusto.

Tudo se deve, não à memória curta do público, porque esse felizmente é fiel e persistente mesmo nas alturas de pausas para ensaios, chegando mesmo a procurar informações sobre as nossas actividades junto da Faculdade.
Nem, tão pouco, se deve à escassez de actores e actrizes, já que quase uma centena de alunos se inscreve, anualmente, no atelier de pré-selecção que organizamos.
No que concerne à qualidade do nosso trabalho, basta que se refiram os sucessivos convites para participações em festivais e os concursos, que aceitam as nossas candidaturas para figurar num elenco limitado de grupos, nomeadamente, o Festival de Teatro ACASO, em Leiria e a MOSTRA de Teatro, organizado pela Câmara Municipal de Lisboa.

Aponto o dedo, sim, à entidade da qual fazemos parte enquanto núcleo, a AAFDL (associação de Estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa). A ignorância e o desconhecimento da nossa existência são de tal maneira assustadores e inacreditáveis, que numa das nossas últimas representações no Teatro Maria Matos, incluída no Festival de Teatro Universitário de Lisboa(FATAL), e com a Peça “A Kulpa”, baseada no “Processo”, de Franz Kafka, um representante do departamento cultural da Associação de estudantes chegou mesmo a confessar, inconsciente do teor ofensivo do que viria a ser o seu desabafo pessoal, que não fazia ideia da qualidade do “seu Cénico”, um grupo só com meia centena de anos e desde sempre ligado à Faculdade.
Por outro lado, quem aceder à página de internet da AAFDL, verá que o Cénico é, de facto, mencionado enquanto núcleo, mas a verdade é que já temos página do grupo ( www.cenico.no.sapo.pt) há cerca de 3 anos e apesar dos múltiplos contactos para a adicionar à pequena menção, apenas obtivemos o silêncio característico do dolce fare niente.

Ano após ano, convencidos pelas promessas das campanhas, pelo desejo enérgico de mudança, pelos sorrisos afinal enganadores e pelo, hoje muito actual, falso interesse pela cultura, ou melhor, pela Cultura da Cultura.
No fim, confrontados com o vazio das palavras gravadas nas mentes, mas nunca no papel tal é a confiança entre futuros juristas, ficamos de mãos a abanar, não em termos de trabalho, porque simplesmente não podemos parar, mas a nível monetário, já que inevitavelmente e como é lógico, temos de remunerar o Encenador que infelizmente se submete a estas condições todos os anos.
Inacreditavelmente, depois de terem sido montadas duas peças que correspondem a dois anos de trabalho de encenação (“A Kulpa”, e “à espera de Godot”, a estrear no Festival de Teatro Acaso em Leiria a 9 de Novembro deste ano), o nosso encenador ainda não recebeu, até à data, qualquer remuneração, uma vez que a promessa feita pela AAFDL no início deste ano, de um subsídio dividido em três tranches em datas já decorridas, não foi mais uma vez cumprida.

Convencido de que é condenável este desrespeito por alguém que dignifica tanto o Grupo Cénico de Direito, e de que se trata de uma situação que não pode continuar a repetir-se, venho por este meio anunciar aos órgãos de comunicação social e restantes interessados, que a menos que algo seja feito no sentido de reparar a actual situação vergonhosa e degradante, o Cénico de Direito será forçado a deixar de pisar os palcos e a cessar a sua actividade enquanto Grupo de Teatro Universitário no final deste ano de 2003.

Ao nosso fundador, Malaquias de Lemos, falecido no dia 1 de Janeiro deste ano, e à sua família deixo o meu profundo agradecimento e a inevitável vergonha, que hoje carrego, por ser forçado a tomar atitude tão drástica, cerca de 50 anos depois de um acto de tanta coragem.



Em nome do Cénico

Henrique Martins Gomes

O segredo da Burocracia



Se és cidadão, se tens dúvidas sobre os teus direitos e deveres e queres uma resposta rápida... ... ... não, não é preciso juntares-te ao CENFIC, basta que procures a solução em INFOCID.
Experimenta!


P.S.: contém páginas actualizadas sobre o modo correcto de pagar o IRs e Irc, a tempo.

Direito à indignação


Estou cansado e farto. Muito farto.
O mundo conforma-se e eu ainda não.
Revolto-me com o que vejo e num grito surdo transformado em palavras, transmito a minha indignação.
Se é de esperar que os vírus sejam criados pelas empresas de software de anti-vírus, e que as doenças sejam criadas e estudadas pelos laboratórios que fabricam medicamentos, a lógica mais distorcida impede-me de imaginar que sejam os próprios advogados, juízes ou meros juristas a incentivar outro meio mundo a violar a lei.
A raiva consome-me lentamente à medida que revejo mentalmente imagens recentes e perturbadoras.
Hoje descobri, finalmente, de uma forma cruel e arrepiante que os carros que vagueiam pelo Parque de Estacionamento Privativo da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ali bem em plena Alameda Da Universidade, procuram a companhia de jovens do sexo masculino que se prostituem em plena propriedade da Faculdade.
É como lhes digo, esta noite, saindo de uma ensaio do Grupo Cénico de Direito de que faço parte, fiquei chocado com a imagem real, típica, de um jovem a vaguear sozinho pelo estacionamento, coberto pela luz dos candeeiros que o iluminam como se estivesse numa montra. Tudo para depois desaparecer no interior de um carro, que por sua vez se esfuma entre a escuridão dos lugares mais afastados da entrada do parque.

Prostituição na Fdl - sinto-me repugnado como ex-aluno e sobretudo desiludido por ninguém do corpo directivo pôr termo a um situação de resolução fácil, bastaria encerrar as cancelas do parque todas as noites.

Falem menos e façam mais.
Simples, não é?

terça-feira, outubro 28, 2003

O dom




Rir.
Sorriso tornado som, que anima e alimenta qualquer sala ou quarto.
Unidas sob a forma de palavras mágicas, a inteligência de uma observação e a ideia mental de satisfação e de conquista do nosso sentido humor, são as características e consequentes sensações imprenscindíveis em qualquer boa piada.
Rir é ser-se convencido de que algo merece a oportunidade única de comunicar com o infante que há em nós, desprendidos de armas e defesas com que nos vamos acostumando e que carregamos até ao último sopro de C02. Talvez seja por isso, que o homem diminui de estatura com a idade, é do peso das suas armaduras.
Detestamos e tememos a vulneralibilidade do nosso riso.
Mas só isso nos faz sentir bem, embora por pouco tempo, como tudo o que é bom na vida.

Sugestões para os destemidos:

- Robin Williams na Broadway, pela cadeia HBO.
- Fawlty Towers, com John Cleese, pela cadeia BBC.

Estes dvds estão à venda na Fnac.

Quanto ao riso mais genuíno há que procurar os espectáculos com qualidade, por exemplo, este projecto que promete não apenas pelo renome dos intervenientes, mas pela sua obra, notável, que até hoje fez rir muita gente, sendo esse exactamente o seu intuito.

Eureka!



De acordo com o Portugal Diário: BiBi chéché!

Ou com um arranjo diferente das mesmas letras...

BiBiébichébiché... -> dí­zima infinita, and so on and so on.

Cá para mim o psiquiatra é o Pedro Strecht, mascarado de Rui frade e com voz alterada ...

segunda-feira, outubro 27, 2003

Gastos



Se há coisa que já chateia, é a repetição, ano após ano, de alguns anúncios, sobretudo os característicos da quadra natalícia. Ou é o chocolatinho do casal guloso que só quer delícias Ferrero, mas que ainda tem de esperar por Outubro porque ainda está muito calor ou a promoção da bebida tão oportuna para as férias de Natal, altura de viagens, de deslocações familiares, que é o Whisky Logan.
O da Ferrero ainda passa, pois finalmente trocaram a Madame e o Ambrósio que faziam as maravilhas dos contadores de anedotas mais picantes, pelo par que só quer Rocher ou mon cherry.
A Logan, por outro lado, é mais insistente, uma vez que mantém há já 3 anos o anúncio em que os protagonistas têm a conversa do " Quero Logan, porque ainda não inventaram nada melhor".

É coerente, se teimam em exibi-lo... ... ... é porque ainda "não conseguiram inventar nada melhor".

domingo, outubro 26, 2003

O meu Sushi



Seguem-se algumas imagens que demonstram bem a que ponto pode chegar a minha paixão pela gastronomia japonesa.
Desejoso de sentir de novo o sabor avinagrado das folhas de gengibre e a frescura dos peixes presos nos rolos de arroz, decidi lançar-me na orientalização dos meus hábitos, na demonstração de que os livros adquiridos sobre a confecção das pequenas maravilhas japonesas tinham um fim último, o de partilhar com os meus utensílios, facas, garfos, pausinhos, este enorme prazer.
Espero que as imagens agradem tanto como o seu sabor real...