sexta-feira, janeiro 09, 2004

Desabafos da Alma



As boas conversas não têm tempo.
Não se contam os segundos, nem se ouvem bocejos.

Alguém que me encontrara já bem pela noite dentro, nas ruas de Lisboa, um amigo, sentava-se agora ao meu lado. Os vidros corridos do carro, prendiam os pensamentos e os vocábulos que bem se esforçavam para sair. Em vão, ou não fosse o encaixe das janelas, uma cela transparente. Corrijo, o translúcido dera lugar a um embaciado bem revelador de que dentro do habitáculo, não só se disparavam confissões, experiências e sobretudo o cansaço do trabalho, mas também que nenhuma das palavras, tão secretamente proferidas no interior do meu confessionário móvel, ecoaria nos prédios que nos rodeavam.

Sabia, por todo um acumular de silêncios, que precisava de partilhar, de receber apoio, ou apenas de alguém que o ouvisse.

Fala.

Nessa noite, não sei como, o ponteiro dos minutos foi mais rápido do que o dos segundos.
Quando liguei o carro, o ar condicionado fez desaparecer os rastos do sigilo...e eu, dormi 15 minutos antes de ir para as aulas da Ordem.
15 minutos, mas dormi...

quarta-feira, janeiro 07, 2004

Ironias saudáveis



Entrar neste blog fez-me "lembrar" os raros e preciosos momentos em me deixo substituir na condução do meu carro. Uma vez sentado, no paradoxalmente chamado lugar do morto, parece que acordo de um sono de véus, de filtros que me impediam de ver a cidade tal como é verdadeiramente: Viva!

Em linguagem informática, é como proceder a um upgrade pormenorizado dos cenários, dos recantos, das imagens que envolvem os caminhos que percorro diariamente.
O autor do Amnésia conseguiu o mesmo efeito reportando-se apenas e tão só ao chão que nos sustenta e aceita em silêncio, passo a passo.

Parabéns!

quinta-feira, janeiro 01, 2004

Por favor, queria uma Bica!



Limitado pela falta de tempo, confesso-lhes que aproveito todos os segundinhos livres, convertendo-os em "tempo útil".
Não se trata de qualquer fixação pelo trabalho, pelo contrário, a relação que existe entre este meu espírito poupado e a utilidade das actividades em que gasto os tais segundinhos, é não mais que o resultado da submissão ao meu novo horário de trabalhador e que limita os meus momentos de lazer.
Por isso não se admirem que vos vá relatando coisas que li algures, mesmo em locais pouco usuais, como "dans les toilletes".

Mas adiante!
No último post, questionei os caríssimos leitores, a quem desde já desejo um Fabuloso 2004, cheio de felicidade e sobretudo de respeito mútuo que parece ser coisa que falta nos dias que correm, sobre a origem da expressão "pedir uma bica".
Responderam os mais audaciosos, e com toda legitimidade, porque se trata de um blog aberto e interactivo, que a Palavra BICA não mais seria do que as iniciais da expressão "Beba Isto Com Açúcar".
No entanto, por mais que me custe contrariar digníssimas opiniões, cabe-me repor a verdade, ou dizendo de outra forma, recuar no tempo e contar os porquês há muito esquecidos.

Nos tempos em que a gerência da Brasileira pertencia ao Sr. Adriano Telles, as máquinas de café que se encontravam no estabelecimento, anteriores às actuais máquinas "expresso", continham duas torneiras ou Bicas, uma que vertia o café para dentro do balcão e outra para o exterior do mesmo.
Quando se servia um café, o empregado munido de um tabuleiro com chávenas enchia uma cafeteira com o dito líquido, e andava de mesa em mesa a servi-lo a partir da mesma. Facilmente se entende que a pessoa que recebesse o seu café em último lugar, ocorrido todo o processo descrito anteriormente, teria a infelicidade de o beber menos quente, ou até mesmo frio.

Um dia, por eventual reclamação de um dos clientes, o Sr. Gerente Adriano Telles, querendo comprovar a qualidade do café que servia e garantir o bom nome do estabelecimento que tinha a seu cargo, serviu-lhe o café, directamente, a partir de uma das bicas, para que este fosse servido quente e individualmente.

Nesse mesmo dia, os restantes clientes, ao observarem o sucedido, começaram a pedir que o café lhes fosse servido a partir da bica, para assim usufruírem da mesma regalia.

A partir desse dia, os clientes da Brasileira ganharam o hábito de fazer tão original pedido, hábito que já nos dias de hoje foi adoptado por outros estabelecimentos.


Por isso, recusem o café Frio, peçam sempre uma BICA!

Diz-me o que bebes....



Por acaso os senhores sabem porque se chama "Bica" ao café?

Explicação no próximo post!

quarta-feira, dezembro 31, 2003

Contactos Japoneses



Esta é a minha prenda de natal atrasada para alguns dos leitores, que aqui vêm ter à procura de restaurantes japoneses.
Este é, na minha opinião, o melhor:

- Restaurante Japonês AYA II

Galerias Twin Towers

R. Campolide, 351 - loja 1-56
1060-034 Lisboa
Tel/Fax: 21 727 11 55


Bons SUshis e SashiMIs!!!!!

terça-feira, dezembro 30, 2003

Porquês da Morte



Porque é que :

- na câmara mortuária os perfumes pessoais, até os mais fortes, perdem a capacidade de atingir o nosso olfacto?

- o representante da funerária tem sempre um ar apressado?

- os trabalhadores das funerárias têm sempre as gravatas fora do sítio?

- os coveiros têm uma barriga maior que a carga limite das suas camisas e calças?

- os padres que celebram a "última" missa são sempre velhinhos?

- se martelam pregos nos caixões?

- estes se fecham à chave, mesmo os que vão para os jazigos?
- faz sempre frio nos cemitérios?

-

sexta-feira, dezembro 26, 2003

O meu Natal em SMS



Meus amigos, colegas, leitores: Estou farto!
FAAAAAAAAAARRRTTTTOOOOO.

Se quiserem mandar mensagens a alguém neste Natal, ao menos façam-no tendo em conta a individualidade de cada destinatário...
Uma coisa é mandar, em série, uma mensagem com piada, outra coisa é enviarem uma mensagem impessoal, genérica com assinatura no fundo do Sms.

É que o que tem mais piada em tudo isto, é que as pessoas preguiçosas que o fazem nem tentam ser ao menos subtis, dando talvez um toquezinho na mensagem para parecer que só a nós se dirige. Pelo contrário, vai a mensagem gravada, sem complementos directos especificados a nível do destinatário.

"Olá, só para desejar Bom Natal e Feliz Ano novo, são os votos de XPTO".

Merece uma resposta do tipo: " Desculpe, mas um dos telemóveis destinatários da sua mensagem apenas reconhece formatos de mensagens originais, ou cópias autenticadas e reconhecidas como tal pelos emissores. Por favor tente novamente, desta vez incluindo o nome deste destinatário".

É que se alguém sacrifica o gasto de ...€ por uma mensagem, ao menos que nos seja especificamente dirigida, não?

Porque não:

" Caro Hgomes, neste Natal adorava receber-te embrulhado numa prenda, tal e qual quando me fizeste aquela surpresa com o chantilly. Agora já sabes o que eu quero, beijocas e Bom NATAL, Joaninha/Aninhas/Martinha/ etc...."

P.S- o tipo de mensagem avançado como exemplo só se aplica às pessoas do sexo feminino..... é sempre bom elucidar os mais distraídos.

sábado, dezembro 20, 2003

A Casa da Música, em Lisboa!



Silêncio.
Como odeio o silêncio.

Por ser ausência de vida, ausência de movimento, ausência de tudo...
É por isso que ao deitar, embrulhado no misto de lençóis e cobertores, e embalado num conforto invisível aos ouvidos e não aos olhos, sinto um aperto no coração, e peço para adormecer rápido.
Penso na morte, no fim dos movimentos, no fim de tudo.

Justifica-se, pois, este meu gosto, ou melhor, esta minha necessidade de "ouvir" as melodias pessoais de quem respira fora das minhas janelas.

Mas sou exigente.
Gosto de ouvir os sons de olhos fechados, recriando as fontes sonoras a partir da escuridão inicial da imaginação, tal e qual como um quadro de ardósia começando a ser rabiscado. Este método tanto se aplica às melodias cosmopolitas, como aos registos finitos gravados nos pequenos círculos com nome de marca portuguesa de meias ("Com Cd quem ganha é você!").

Há, no entanto, quem nos facilite, o já por si enorme prazer de sonhar acordado, mãos mágicas que em parceria com um apuradí­ssimo ouvido, concebem aparelhos que tornam as coisas fáceis ao ponto de nos criar a ilusão perfeita de estarmos a assistir, de olhos bem abertos, a um concerto privativo "daquele" cantor, intérprete ou músico ali na nossa sala,
Sentado num sofá ou numa poltrona, julgando que são os olhos que nos atraiçoam, porque ouvimos os suspiros do artista, contudo sem o conseguirmos ver.

Quem não conhece a sensação, só tem uma solução:

- Ir à DELMAX.


aqui:

Rua da Madalena, nº 237 - 1º Dtº
1100-319 Lisboa

Tel/fax 218879115

email: Delmax@iol.pt



P.S - só faço referência a pessoas e obras em que acredito....se depois de fazerem o que aqui vos sugiro tiverem um opinião diferente, por favor escrevam nos comentários!

domingo, dezembro 14, 2003

Apertos



Porque raio é que quando estou aflito para ir à casa-de-banho, pareço o tipo dos "Lord of the Dance"????

Será que foi assim que tudo começou?

Nas barbas dos Americanos



Pois é, o nosso amigo Saddam foi finalmente "apanhado".
Não bastavam os pesadelos diários do antigo líder Iraquiano, a verdade é que hoje, enquanto dormia, o acordar foi, pela última vez, bem mais real e duro.
Apesar da mudança de aparência, foi relativamente fácil localizar e identificar o "Ás de Espadas", que agora, ao contrário do que graficamente ficara gravado no baralho de alvos a abater, ostenta uma farta Barba.
Vozes há que se levantam mais alto, e desacreditam estas últimas novas vindas do Oriente.
Em especial, o Ex-Ministro da Segurança Iraquiano, que numa Mini-conferência de Imprensa em pleno estabelecimento prisional Americano, vai reiterando que os Americanos continuam longe da capital Iraquiana e que o sr. das fotografias e dos filmes, é um boneco de borracha que os infiéis do Ocidente criaram para enganar o povo.

É desta que o Bin LAden corta a sua Barba ...

sábado, dezembro 13, 2003

Ingenuidades



Imaginem a cena:

Patrono e estagiário entram numa sala de audiência, mais concretamente nos Juízos Criminais de Lisboa.
O Patrono toma o seu lugar, e o estagiário, estreante nas andanças de Tribunais, resolve sentar-se onde melhor pode assistir ao decorrer da sessão, ou seja, bem à frente na primeira fila.
O Patrono sorri, e diz-lhe baixinho - Estás sentado nos bancos dos Réus.
Imediatamente, tentando disfarçar, mas sem sucesso, levanta-se e dirige-se para os bancos do fundo da sala, onde se esconde por detrás de um Código.

Há coisas que não se aprendem na Faculdade....

Zangado



Acabei de ouvir no Telejornal uma entrevista a um taxista, que irritado, exigia o reconhecimento da paternidade do Vinho do Porto!
Para ser mais claro, insurgia-se contra "os Srs." que puseram o nome da capital do Norte, ao vinho que afinal é proveniente do Vale do Douro!
"Nós trabalhamos e eles têm a fama!"

terça-feira, dezembro 09, 2003

Com licença... - Um post para esquecidos e apressados



Se um dia tiver um filho, espero que leia, com atenção, o que hoje escrevo.
Há umas semanas, uma amiga perguntou-me porque razão era sempre tão educado, exemplificando, a abrir a porta às senhoras, a oferecer o meu lugar...
Respondi-lhe que tinha sido criado assim, e que apesar de muitos, como ela, me considerarem antiquado, a experiência tem-me mostrado que é melhor ser-se cauteloso e andar "protegido".

É um questão muito curiosa.
Podemos abrir centenas de portas a alguém, e esse alguém nada dizer, nem um único agradecimento. Nem mesmo um sorriso. Mas no dia em que não abrirmos a porta, ou não deixarmos passar primeiro "a Senhora", chamam-nos logo Mal-educados.
É infalível, e sobretudo, injusto!


Nota: À Senhora do 3º ESQ, aqui está a prova de que fiquei traumatizado por ter saído primeiro e fechado a porta no seu nariz....

quinta-feira, dezembro 04, 2003

Marcas e Slogans



"Mudanças Machado" - Nem quero imaginar como "fazem caber" um sofá de 2m, numa cabine de elevador com 1,90m de altura.

"Papel Higiénico Cúmplice" - Deixou a casa-de-banho num estado lastimoso? Não assuma a culpa sozinho! Porque em alturas de aperto, é sempre bom ter uma ajudinha! Cúmplice, o papel higiénico que o acompanha nos maus momentos.

Nota: estas marcas são verídicas...os slogans são produto da imaginação do Olhar do costume.

segunda-feira, dezembro 01, 2003

À espera de Godot - Os 50 anos de Palco do Cénico de Direito






Brevemente em Lisboa, depois da Estreia no Festival de Teatro Acaso em Leiria (9 de Novembro) e participação no Festival de Teatro Universitário de Coimbra, no passado dia 23.

Mais informações: Grupo de Teatro Cénico de Direito - www.cenico.no.sapo.pt/ email: Cenico@netcabo.pt



Olhar Pensativo



Diz quem me conhece, que penso demais.
Que, com o Raciocínio, procuro indícios escondidos nas palavras, como se a linguagem fosse um enigma constante, quase indecifrável a olho nu.
E por isso referem-se a mim como "O Complicado".
Imaginando-me "sozinho" no mundo dos que se questionam, foi num dia como o de hoje, chuvoso ao ponto de "lixar todo um Fim-de-semana Grande", que descobri que alguém, uma menina, provavelmente adepta do "Cogito, Ergo Sum", decidiu incluir-me no seu blog fazendo referência a este meu espaço pessoal de complicação.
Assumidamente Pensativa, teve a amabilidade de responder a um, esse sim simples email.
A Honra é toda minha...

Sê Bem-vinda!

sexta-feira, novembro 28, 2003

É triste deixar uma mensagem num gravador de chamadas de alguém, e depois vir a saber que esse alguém faleceu.

Português aos pontapés



Quem sintonizar a frequência 107.2 FM, no carro ou em casa, ouvirá com surpresa falar-se em Português de Portugal, ou Continental, como o define o Windows.
Mas não fiquem tristes os leitores que ouviam o doce Brasileiro do Antigamente, porque a Nova estação mantém a coerência da Anterior, evita falar correctamente a língua de Camões, que se ouvisse as emissões ficaria decerto confuso.
Refiro-me à já irritante promoção da Rádio, em que o locutor diz: " Não SEJAS INVEJOSO, ABRE AS JANELAS DO CARRO E DEIXA OS TEUS AMIGOS/VIZINHOS OUVIREM A TUA RÁDIO"


Quantas vezes mais é preciso fazer a distinção entre Egoísmo e Inveja?

Ser Egoísta - Aquele que não gosta de partilhar nada, só pensa em si.

Definição ->indivíduo que trata só dos seus interesses; comodista.

Ser Invejoso - Aquele que gostaria de ter o que os outros têm - " a Galinha da vizinha é melhor do que a minha"

Definição -> misto de pena e de raiva; sentimento de desgosto pela prosperidade ou alegria de outrem; desejo de possuir aquilo que os outros possuem; ciúme; emulação, cobiça.


A menos que estejam a ser irónicos e se queiram referir a eles próprios recorrendo ao primeiro sinónimo dado pela definição de Ser invejoso, não vejo razão para se confundir os seus significados!!!!!

A Boa Acção



Hoje, 14.02, estação de Metro do Saldanha, junto às máquinas dos bilhetes:

Senhor visivelmente dependente de drogas pesadas - Desculpe, senhor? É que só me faltam 50 cêntimos para comprar um bilhete de Metro...

Eu, alguém interpelado pelo senhor visivelmente dependente de drogas pesadas- só lhe faltam 50 cêntimos? Para um bilhete de Metro?

- Silêncio -

Eu Novamente- Então tome lá.... "Clink clink....... Rinhénhé Rinhénhé"*.... um bilhete de Metro!

*Tradução :

-Clink Clink- moedas a entrar pela ranhura da máquina de bilhetes.
-Rinhénhé Rinhénhé- máquina a imprimir o bilhete.

Fiz mal?????



Nota: Até a senhora invisual que se encontrava sentada à entrada, fechava os olhos quando as pessoas passavam junto dela...

quinta-feira, novembro 27, 2003

Pechincha



O Tempo.
Não fossem os Romanos e as suas calendas, talvez hoje vivêssemos mais livres.
Não me refiro à liberdade de Sartre, nem ao destino recheado de escolhas, porque disso percebe o meu querido amigo Alexandre.
Falo-vos da liberdade para agir, prévia à liberdade escolha.

Agora, que as horas se contam de 60 em 60 minutos e os intervalos das aulas da Universidade são memórias estranhamente boas, chegar a casa é cada vez mais uma bênção.
Agora entendo quem me disse que os Anos da Universidade são os melhores.
Tudo porque "HÁ TEMPO" para gozar a vida, para ver o sol a perfurar as nuvens, para respirar ar livre em vez do "ar forçado" como dizem os nuestros hermanos.
Mas não somos nós os responsáveis por esta privação.
Na verdade, o "Trabalho" é um chantagem gigante: negociamos o preço do nosso querido Tempo com os clientes ou com a entidade patronal, porque somos obrigado a isso. Estamos em desvantagem porque a venda do Tempo é forçada, há uma coacção, já que se não prescindirmos da matéria prima que faz andar os ponteiros do relógio, não sobreviveremos seguramente.
Afinal de contas há que estar vivo para podermos gozá-lo.
Dito isto, só me resta ficar agradecido por segunda-feira ser Feriado!