domingo, julho 09, 2006



Amplidão de Verão

Cansado das agruras próprias da profissão e da constante sujeição ao tempo, sob forma de "PRAZOS", é altura de esticar a toalha e abraçar a areia.

Armação de Pêra é desde há muito o destino de férias da família, até porque a sorte ditou que lá adquiríssemos um apartamento, muito antes mesmo do presente caos urbanístico.

Recordo-me de ser puto, e ter um imenso areal para correr, saltar e jogar à bola. Os toldos, erguidos longe do marulhar e das cambalhotas da água salgada, contrastavam o seu azul marinho com o amarelo torrado dos grãozinhos minúsculos filhos da erosão.

O silêncio competia com as ondas irrequietas...e o levante agitava os dias excessivamente calmos.

Um privilégio escondido e preservado pelos habitués da Praia de Armação de Pêra.

Um dia... apareceu o telemóvel.

E com ele a comunicação, o passa a palavra, os contrutores civis, as alterações ao PDM, as dezenas de ruas paralelas à Marginal, os hipermercados, os bancos, os multibancos vazios de dinheiro, a falta de água, os carros, as ruas cortadas e, finalmente, a falta de espaço na praia.

Espirrar passou a incluir um "peço desculpa", tal é a proximidade com o vizinho, que sem pensar duas vezes, estende a sua toalha no pedacinho livre junto ao nosso, formando ao todo centenas de retalhos multicolores, separados por milimétricas tiras de areia.

As toalhas, claro, viram o seu tamanho aumentado, ou não fossem marcações territoriais a respeitar escrupulosamente.

E o Paraíso transformou-se...

Mas, para que não me chamem Velho do Restelo, eis que chega o objectivo do presente texto.

A foto que incluo neste meu post, não é de tempos idos, mas do que ainda se consegue encontrar hoje, a custo de umas centenas de metros a pé ou mesmo de carro.

A paisagem quase liberta de chapéus de sol, de rádios AM, FM, M&M.

E um mar só para nós.

A preguicite aguda do visitante cega-o, impedindo-o de lutar por áreas mais amplas de espaço vazio.

É que, como acima referi, para se chegar aqui, onde somos todos donos de um pedaço de sonho de verão, basta percorrer um extensão mais do que justificável de caminho.

Há, felizmente, coisas que nunca mudam,

como a preguiça...

Vai um brinde?

2 comentários:

A João disse...

Que saudades!...
Da última vez que lá estive com meus pais (no campismo), há uns 14 anos...
:-)

Anónimo disse...

That's a great story. Waiting for more. » »